É engraçado como alguns muros de maravilhas se tornam muros de Berlim com o passar do tempo; é engraçado como o amor move a gente por quilômetros, e então sem qualquer aviso ele acaba - e a gente fica no meio do caminho, ou então do outro lado, onde não dá mais pra alcançar; é engraçado ter uma memória que nunca te deixou em paz em anos, não porque você se importe, não porque você queira lembrar, mas porque você simplesmente não pode esquecer. E quando você fala em paredes tatuadas, as pessoas acham bonito sem entender. Mas talvez seja mais triste que bonito. Talvez seja mais perturbador que bonito. Ter um quarto de paredes com desenhos que fazem sentido pra uma pessoa só, numa língua entendida por uma pessoa só, em versos truncados que significam alguma coisa pra uma pessoa só. E talvez ninguém nunca tenha pensado que esse quarto era de uma pessoa perdendo a cabeça.